Hoje

Há dias assim – em que a vida naufraga espontânea e lúdica, e os paradoxos se dissolvem. O jogo, o luto, as cordas, os nos, os mínimos eus, as ondas, as hordas, todo sentir explode. Os fatos perdem a moldura, tingem-se de maresia e matizes sem foco e o de dentro do de dentro vira escritura. Neste momento não importam as convenções, as convicções, as fronteiras do céu e dos livros. O tempo passa. Os navios partem. Os homens partem. Uns dizem adeus e singram no horizonte. Outros filosofam e o coração dança acelerado sem bússola. As folhas voam. As nuvens se espalham. A caligrafia sangra esta despedida indizível. Nada importa: nem o tempo nem as amarras nem as dores. Nem as condições climáticas. Quando chega a hora da partida, os motores não param as ondas. O espanto de ser acena.

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